Macacos Que Somos

A eolípila da vez

Sobre o invento de um engenhoso grego e como o traço humano da instrumentalização pode ser tanto uma conquista quanto uma tragédia. O ser instrumental, instrumentalizado. Discussão sobre como o uso dessa característica vem afetando a ciência de base.

Por volta de 62 d.C., Hero de Alexandria inventou sua curiosa eolípila – uma “bola de vento”. Consistia em uma esfera suspensa sobre uma bacia e com aberturas aéreas bilaterais acopladas a dutos, como canudos dobrados. À medida que água naquela bacia era aquecida e seu vapor penetrava pelas aberturas da “bola”, esta girava livremente, sozinha. Nada além da mera curiosidade intelectual levou Hero àquele resultado; tanto que nunca se interessou em desenvolver aquela engenhoca. Além do mais, ele já tinha notáveis contribuições no campo da matemática; legaria à humanidade uma obra muito mais proveitosa na trigonometria. Assim, sua exótica invenção teria caído no esquecimento não fosse um detalhe: tratava-se da primeira máquina a vapor conhecida em todos os tempos!

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Hero de Alexandria e sua eolípila.

Ora, sabemos que  a máquina a vapor foi o “motor da história” na Revolução Industrial; motivo maior pelo qual o Ocidente europeu, naquele ponto uma periferia do mundo por mais de mil anos, foi alçado, com efeitos até hoje. Mas não foi da Alexandria do primeiro século que se irradiou essa transformação. Por quê? A resposta lança luz não só sobre a eolípila de Hero, mas serve também para ilustrar muito dois pontos que pretendemos corroborar neste décimo texto do Macacos Que Somos. Primeiramente, vamos explorar um pouco sobre o traço de instrumentalidade que identificamos como parte da natureza humana; e, em decorrência disso, como segundo aspecto, a compreensão de que às vezes informações aparentemente inúteis só aparecem cedo demais para serem utilizadas – o do que isso tem a ver com algumas de nossas questões de hoje.

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A instrumentalidade, tomada aqui como a capacidade de utilizar-se de qualquer aparato de forma a atingir um determinado e previsível fim, é algo tido como característica fortemente humana, a tal ponto de já ter sido precipitadamente eleita como o divisor de águas absoluto entre homens e animais. Esta separação estanque, no entanto, é arbitrária e ilusória, pois desconsidera uma longa trajetória natural que explica não só o surgimento, mas também as limitações (antes simplesmente ignoradas) que se impõem à capacidade instrumental humana. Além disto, a capacidade de produzir ferramentas é muito mais antiga do que a espécie humana1. Por muito tempo imaginou-se que apenas os seres humanos eram dotados de instrumentos, mas tal hipótese começou a ruir frente a evidências cumulativas de que o comportamento de outros animais atendia a vários critérios de uso de instrumentos. Na tentativa de remendar o conceito para mantê-lo exclusivamente humano, suas características passaram a se tornar cada vez mais especiais, arbitrariamente restritivas e artificiosas, inconsistentes. Hoje se entende que há níveis distintos de instrumentalização e, conquanto a complexidade do comportamento de instrumentalização possa ser muito significante, se percebe que a instrumentalização, sob essa perspectiva, é regra, não exceção.

Tal abordagem não deveria nos surpreender de todo: alguns estudos neurológicos das mais modernas próteses bioeletrônicas demonstram que mesmo nossos membros naturais podem ser tomados como instrumentos aos quais se acoplam outros instrumentos (as “ferramentas” humanas). A exemplo disso, os trabalhos de Miguel Nicolelis apontam para a ideia de que, no momento de um chute, o conjunto bola-e-perna do jogador de futebol são tomados pelo corpo como um só aparato. E sequer o jogador precisa pensar nisto dessa forma: essa habilidade simplesmente “está lá”, codificado em nossa herança biológica desde que ensaiamos os primeiros chutes na barriga da mãe. Essa foi a forma com que os seres vivos desenvolveram algumas de suas características mais dinâmicas: instrumentando partes do próprios corpo para alterar sua condição no meio e/ou o próprio ambiente. 

Assim, bactérias têm instrumentos em cílios e flagelos; há dos pseudópodos de protozoários até as sofisticadas e impressionantes estruturas sensórias como o “sonar” de morcegos ou o senso de orientação pelo campo magnético de aves migratórias. Muito antes disso, na maioria dos outros animais a instrumentação já aparece no uso locomotor dos membros (apêndices), que é primordialmente usado como instrumentos simples, tal qual alavancas (nadadeiras, patas) mas também agrega, em espécies menores, diversas novas funções – como garras, pinças, esporões e, em algumas espécies, mesmo o manuseio. Em outras tantas menos se caracteriza o uso de instrumentos exteriores de uma peça só, como fazem os macacos-prego ao quebrar uma semente de babaçu com pedras ou os chimpanzés centro-africanos no mais famoso exemplo de “pesca de cupins” com uma vareta. Mesmo plantas, tidas erroneamente como inertes, se servem de instrumentalidade quando se escoram em outros galhos ou estabelecem processos adaptativos de coevolução. Instrumentalidade é regra de adaptação!

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Vários animais não-humanos, como o chimpanzé, são capazes de utilizar ferramentas.

Toda essa pequena história natural para evidenciar que a capacidade de fazer uso instrumental de algo está correlacionada à humanidade desde muito antes de haver seres humanos, sendo profundamente enraizada em nossa natureza. Enfim, é evidente que nos falta uma considerável variedade de habilidades e aparatos sensórios-motores encontrados em outros organismos, e em nossa espécie esse traço em específico da natureza alcançou por diversos motivos níveis notáveis de profundidade e sofisticação.

Há, no entanto, que se tomar por fato que nós, humanos, estabelecemos com nossos inventos uma relação muito particular de instrumentalidade por uma série de distintas prerrogativas: desde polegares opositores, bipedalismo e postura ereta até o neocórtex atipicamente expandido e o desenvolvimento de linguagem, só para citar algumas poucas. Desenvolvendo os instrumentos para muito além de uma única peça, tornando-os compostos e articulados e utilizando-os de forma diversa e multimodal chegamos à condição de alterar nosso ambiente de maneira mais profunda e distintiva do que qualquer outra espécie. E esse trajeto não se daria sem uma profunda transformação em paralelo de nossas habilidades intelectuais, que nos tornaria também intrinsecamente os maiores instrumentalizadores da Terra: falamos da revolução cognitiva, aquilo que nos tornou seres arraigadamente simbólicos. 2Os indícios dessa revolução, aliás, são bem mais antigos do que se imaginava inicialmente. Demarcávamos até poucas décadas atrás o advento do simbolismo profundo e da linguagem humana a cerca de 30 mil ou, em casos mais ousados, entre 40 e 60 mil anos atrás. Hoje se sabe que o homem moderno (Homo sapiens sapiens), anatomicamente indistinguível de nós, daí possivelmente também cognitivamente capaz tato quanto nós, tem mais provavelmente quase 200 mil anos. As estimativas anteriores localizavam o simbolismo tão mais próximo por conta da produção inequivocamente criativa que só apareceria por aquela faixa; até que peças com 70 mil e quase 90 mil anos de idade passassem a ser descobertas. Há questionamentos acerca de todas essas datações, mas parte do erro de cálculo pode se dever a uma leitura precipitada das limitações de inovação que marcaram o conservantismo cultural tipicamente humano. Se formos apenas um pouco mais condescendentes, identificaremos as primeiras evidências de um simbolismo considerável a partir das confecções de que eram capazes outros hominídeos já algumas centenas de milhares de anos antes de nós – provavelmente desde o Homo erectus, com seus machados de pedra e madeira sem qualquer uso concreto aparente. Foi a partir do uso de aparelhos como esses, simples porém articulados, que a humanidade pôde, além de simplesmente modificar seu ambiente” (o que já é muita coisa), significá-lo de maneira elaborada. Logo não seria necessário qualquer elemento físico presente conquanto houvesse um signo que o representasse – um som, um gesto, uma imagem, um escultura. O resto é “pré-história”… .

É interessante, pois, denotar o nível de articulação de nossas múltiplas capacidades instrumentais. Tal qual braço, antebraço, carpo e metacarpo (palma das mãos), dedos e unhas possem formas e funções específicas mas constituem no todo um instrumento só, multifuncional, assim também tende a ocorrer com as ferramentas tipicamente humanas, sejam concretas ou simbólicas : martelos, cunhas e pás ganham novos desdobramentos e papéis tanto quanto a retórica de um texto, a ideia de amor e a convivência de um relacionamento. Tecnologia e valor simbólico estão imbrincados um no outro desde sempre: um martelo com melhores acabamento, forma e material, além de ter dentes para retirar pregos (e não só a cabeça para batê-los) consegue ser mais atrativo que seus similares de maneira análoga aos benefícios bastante concretos com que um o cultivo de um bom relacionamento amoroso pode transformar nosso dia a dia. Agregar valor, portanto, é mais um de uso instrumental; é uma reinstrumentação de um aparato para novas funções; chamemos de “instrumentalização”. Ao instrumentalizar algo, não só operamos a “ferramenta” (seja ela concreta ou não), mas fazemos com que os valores a ela agregados provoquem um efeito intencional extensivo que é de ordem simbólica: que alterem a disposição dos outros para algo específico, que tais valores (“ganhos”) persuadam, controlem ou manipulem.

A instrumentalização, portanto, tem por marca ainda maior atingir um fim extensivo.

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Tudo isso pode ser visto de maneira positiva ou negativa, certamente, à medida em que nos trouxe à condição coletiva de “dominar” o meio ambiente e, por outro lado, destruí-lo e a nossos iguais com marcante eficácia… mas não nos apressemos em valorar terminantemente (instrumentalizar!) o discurso nessas direções; não é essa nossa intenção aqui. Ao contrário, deixo como proposta reconsiderar sob a ótica da instrumentação/instrumentalização os episódios e temas que discutimos nos últimos quatro textos da coluna 3Eu até já esbocei brevemente comentários sobre eles, mas as notas de rodapé já tem ficado tão grandes quanto o próprio texto... Seres sociais que somos, podemos notar o peso do simbolismo sobre a forma com que instrumentalizamos nossa realidade e a nós mesmos…

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Retomando, enfim, o caso de Hero de Alexandria, poderíamos nos perguntar: por quê nosso honroso grego não levou seu invento adiante? Senão ele, por que não um discípulo, um outro gênio, um grupo de estudiosos? Imagine as vantagens produtivas e econômicas que qualquer país poderia ter em antecipar em 1.700 anos a Revolução Industrial! É claro que, por mais fascinante que seja, tal elucubração se trata de um exercício imaginativo e anacrônico. A questão, no entanto, permanece válida: por quê não se deu algo assim? Neste ponto podemos dizer que Hero instrumentou, de fato, a força do vapor em sua eolípila; mas não instrumentalizou sua descoberta em novas dimensões – muito em função das condições prévias em que não se encontravam ele, sua sociedade e os conhecimentos fundamentais e complementares em confluência com a realidade de sua época. O Mundo Antigo não tinha nem a organização social, nem a estrutura econômica, nem as entidades políticas, as formas de trabalho, os mercados de consumo, os materiais, os métodos, as técnicas ou tecnologias de que James Watt disporia depois para iniciar a Revolução. Embora a Grécia Antiga fosse uma civilização privilegiada na Antiguidade, não há como esperar dela que fornecesse as mesmas condições – os mesmos sistemas de estradas, correios e educação, por exemplo – que foram cruciais no desenvolvimento específico da carreira do escocês. As condições teóricas gerais de desenvolvimento e aplicação eram iguais para o desenvolvimento da máquina, mas as predisposições concretas de cada tempo e lugar não eram as mesmas!

A máquina a vapor de James Watt.

A máquina a vapor de James Watt.

O principal obstáculo, no entanto, estava na base simbólica do contexto: simplesmente não se tinha ideia. Nem do que aquilo era, nem do que podia ser de interessante e proveitoso como viria a se comprovar pela História. Seria hoje absurdamente estranho dizer hoje que “máquinas não são úteis”; mas naquela época elas provavelmente pareciam mesmo inúteis. Nem por isso o princípio por trás dela era inútil em si mesmo. No frigir dos ovos: o que Hero fazia naquele momento era ciência de base! Não era ciência aplicada, que se volta para testar e aprimorar um modelo teórico em bases concretas de modo a desenvolver ganhos tecnológicos específicos. E é aí que está uma das “pegadinhas” que nosso grande senso de instrumentalização nos prega: se não vemos em qualquer aparelho a possibilidade de atingir um fim extensivo, tendemos a perder o interesse por ele e ignorar enormemente seu potencial. Em outras palavras: o que parece despropositado, sem uso ou mesmo apenas “sem graça” logo é descartado – e isso poe ser um grande erro – sobretudo quando se fala de ciência de base!

Nos últimos anos, várias ciências (tanto naturais e da Terra quanto Humanas) vêm sendo atacadas em seus fundamentos por múltiplas frentes, motivadas pelos mais diversos motivos ideológicos e doutrinários – sejam eles religiosos, políticos ou econômicos. Esses ataques não se dão em termo adequados ou honestos, como críticas bem pontuadas que contestam a ciência em sua própria arena: ao contrário, é por meio da sanha de discursos enviesados, com apelos à intuição e ao sensacionalismo, que se tenta a ferro e fogo derrubar a ciência. Coloca-se a disputa de sentidos de forma desonesta em contextos abertos da opinião pública. 

Lembremos: mais acima falamos também das limitações a que nos força nossa forma instrumental orgânica. Assim também se dá, de modo geral, com outras realidade sujeitas à mudança no tempo: qualquer que seja o caminho para um determinado desenvolvimento evolutivo, impõe-se por consequência imediata para aquele grupo (mesmo que posteriormente reversível) o abandono de muitas outras possibilidades distintas. No caso do conhecimento humano, essa correlação exclusiva, no entanto, não é imperiosa: a existência de outras formas de atividade e saber além da ciência pode não apenas ser tolerada, mas seria até algo muito bom e saudável se houvesse um fluxo espontâneos de troca de informações, um diálogo adequado. Precisamente assim a filosofia e o senso comum já legaram muitos benefícios à ciência – mas isso desde que não atinja proporções desiguais e estabelecem uma atitude predatória. É sem tirar nem pôr o que ocorre com diferentes setores atualmente empoderados: negacionistas da evolução, do racismo e das mudanças climáticas, inimigos do Estado, teóricos da conspiração e “especialistas antiacademicistas de Facebook” costumam ser de uma ou outra corrente religiosa, ter uma determinada preferência partidária ou estar associado, efetiva ou psicologicamente (olha o poder do simbolismo aí!), a determinados grupos de interesse econômico. E ainda se solidarizam entre si, a depender do que convém! Não é por coincidência…

É neste sentido que nos preocupa a instrumentalização, essa marca tão profunda da natureza humana: ao mesmo passo em que podemos ser facilmente instrumentalizados, abrimos mão ainda mais debilmente daquilo que não nos parece ter efeito ou propósito imediato. Neste vácuo entre percepção e realidade, está a ciência de base, como esteve a bola de vapor de Hero. Podem ainda estar as curas da AIDS e do câncer, o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e transporte e instrumentos importantes para várias crises sociais. Mas, como sociedade de seres simbólicos e sociais de tão fácil manipulação, não estaremos destruindo os alicerces de seu desenvolvimento? E se estivermos abrindo mão de outra grande revolução crucial para o futuro da humanidade? Como garantir que nossa atitude imediatista de hoje não sacrifique a antecipação de um futuro ainda oculto? Qual será a eolípila da vez? O “Homo instrumentalis instrumentati“?

Restam quase que apenas dúvidas…

Notas   [ + ]

1. . Por muito tempo imaginou-se que apenas os seres humanos eram dotados de instrumentos, mas tal hipótese começou a ruir frente a evidências cumulativas de que o comportamento de outros animais atendia a vários critérios de uso de instrumentos
2. Os indícios dessa revolução, aliás, são bem mais antigos do que se imaginava inicialmente. Demarcávamos até poucas décadas atrás o advento do simbolismo profundo e da linguagem humana a cerca de 30 mil ou, em casos mais ousados, entre 40 e 60 mil anos atrás. Hoje se sabe que o homem moderno (Homo sapiens sapiens), anatomicamente indistinguível de nós, daí possivelmente também cognitivamente capaz tato quanto nós, tem mais provavelmente quase 200 mil anos. As estimativas anteriores localizavam o simbolismo tão mais próximo por conta da produção inequivocamente criativa que só apareceria por aquela faixa; até que peças com 70 mil e quase 90 mil anos de idade passassem a ser descobertas. Há questionamentos acerca de todas essas datações, mas parte do erro de cálculo pode se dever a uma leitura precipitada das limitações de inovação que marcaram o conservantismo cultural tipicamente humano. Se formos apenas um pouco mais condescendentes, identificaremos as primeiras evidências de um simbolismo considerável a partir das confecções de que eram capazes outros hominídeos já algumas centenas de milhares de anos antes de nós – provavelmente desde o Homo erectus, com seus machados de pedra e madeira sem qualquer uso concreto aparente. Foi a partir do uso de aparelhos como esses, simples porém articulados, que a humanidade pôde, além de simplesmente modificar seu ambiente” (o que já é muita coisa), significá-lo de maneira elaborada. Logo não seria necessário qualquer elemento físico presente conquanto houvesse um signo que o representasse – um som, um gesto, uma imagem, um escultura. O resto é “pré-história”…
3. Eu até já esbocei brevemente comentários sobre eles, mas as notas de rodapé já tem ficado tão grandes quanto o próprio texto..

Este texto, como os das demais colunas opinativas do portal, é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente o ponto de vista dos demais colunistas ou do papodeprimata.com.br.


Sávio Mota

Sávio Mota

Cearense de cabeça pontuda, dizem que é jornalista e rebento da tal geração Y. Cético desde sempre e corinthiano desde que é gente, gosta de ciências e futebol, cinema e documentários de tevê - além de ser apaixonado por História e por Evolução. É CODA. Tem um pequeno canal no Youtube, "O Mundo Paralelo de Neander". Wanna be a scientist. Normal não é.

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7 respostas

  1. Bud Husein disse:

    N a verdade ele pensou em usar esta maquina par varias coisas, mas Ptolomeu I não quis argumentou ” se usarmos esta maquina oque faremos com os escravos do Egito?” ( Dinastia Ptolomaica eram Gregos que comandaram o Egito por 12 gerações a ultima da dinastia a comandar o Egito foi Cleópatra.

    • Sávio Mota Sávio Mota disse:

      Olá, Bud! Obrigado pelo comentário!

      Ainda que não seja mesmo nosso propósito aqui ser cientifico, confesso que desconheço referências que corroborem essas informações sobre Hero ter pensado em aplicar seu invento para várias coisas e Ptolomeu ter impedido.

      Na verdade, há uma série de informações que teríamos de checar aí: desde qual Ptolomeu falamos (os homens da dinastia eram todos nomeados assim) até o fato de que houveram sucessores de Cleópatra; poucos, mas há. Outra coisa que parece um pouco anacrônico nessa possibilidade, Bud, é a ideia de que Ptolomeu pensasse de forma tão pragmática assim – uma marca muito tipicamente moderna, ainda que as motivações e o resultado prático em si desta decisão pudessem ser os mesmos.

      De toda forma, o essencial para que a eolípila tivesse se desenvolvido tal qual as máquinas de vapor do Século XVII estava ausente na Antiguidade – as condições sociais, culturais, referenciais, técnicas, políticas e econômicas, para citar algumas, eram muito distintas. Com isso, ainda que pudesse ser uma possibilidade, não parece ser uma probabilidade à primeira vista…

      Seria muito interessante se o amigo pudesse trazer alguma fonte confiável para aprofundarmos essa versão. Ficaria grato!

    • Savio Mota disse:

      Olá, Bud! Obrigado pelo comentário! Comentei um pouco mais longamente lá na página a respeito disso, mas vou resumir aqui.

      Similar ao que você mesmo colocou acima (apesar de Cesarião, e não Cleópatra, sua mãe, ter sido a última figura dessa sucessão), a dinastia ptolomaica se encerrou pelos tempos de Otaviano, logo depois de Júlio César e Marco Antônio – portanto, algumas décadas antes de Cristo. Hero, por sua vez, inventou a eolípila quase um século depois disso, por volta de 62 d.C. Eles (Ptolomeu, qualquer que seja, e Hero) não foram contemporâneos.

      Pode ser que você (ou sua fonte) tenha se confundido com outra figura histórica, mas não tenho notícias de que algo assim pudesse acontecer. Seria ótimo e muito apreciado se trouxesse referência sobre isso! =)

      Uma vez mais, obrigado!

  2. Leon Ardo disse:

    Primeira panela de pressão.

    • Savio Mota disse:

      ahahahha quase isso…

      Mas seu comentário me lembrou a história de um outro invento que passou despercebido em um momento específico da história, mas que iria logo depois revolucionar a arte da guerra. Tem a ver com Napoleão… mas vamos deixar isso para outra hora, quem sabe num texto!

      Se alguém quiser arriscar um chute aqui, seria bem vindo! =)

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