Opinião: POR QUE O MUNDO EXISTE?


POR QUE O MUNDO EXISTE? UM MISTÉRIO EXISTENCIAL
(Why Does the World Exist?: An Existential Detective Story)
Jim Holt, 2013

Por que o mundo existe, ao invés do nada?

O ensaísta John Holt sempre esteve inquieto com um dos maiores mistérios do universo, senão o máximo dentre todos: por que, entre a possibilidade assombrosamente mais simples de nada existir, há um universo tão abundante de “existência”?

Formado em filosofia, Holt é conhecido por seus artigos científicos em vários periódicos de grande circulação norte-americanos e por um programa de rádio que comandou por mais de uma década. Cresceu em uma família religiosa, porém nunca se deu por satisfeito com a resposta de que Deus o havia criado a partir do nada porque assim decidiu. Após uma juventude em que flertou com o existencialismo, começou a se perguntar de forma mais séria qual seria a razão pela qual tudo existe. Finalmente, após uma tragédia pessoal, decidiu ir em busca de respostas.

E o resultado desta demanda criou um livro ótimo, bem escrito e que convida à introspecção, não raro emocionando, enquanto Holt nos carrega em sua trajetória existencial. Em sua jornada, procura e conversa com várias personalidades – interessantíssimas – em diversas cidades pelo mundo. Filósofos, cientistas, religiosos e até escritores de ficção. De ateus anti-religiosos a teólogos apologéticos, Holt ouve argumentos de um extremo a outro sobre assuntos como a possibilidade do ‘nada’ existir, a necessidade (ou não) de um ente criador, o infinito e a existência de múltiplos universos.

“Por Que o Mundo Existe?” é um best seller não à toa. Além dos ótimos entrevistados, Holt escreve de forma eficiente e bem humorada, tratando assuntos profundos com a leveza de uma conversa em um bar. Dono de um vasto conhecimento sobre filosofia, nos presenteia com uma obra que bem serve como ‘porta de entrada’ para o tema, introduzindo autores famosos para que o leitor possa continuar sua busca após o fim do livro.

Sim, porque embora Holt infira algumas conclusões (com as quais não vamos todos concordar), ele nos contamina com sua inquietação. Seu livro não tem uma resposta para a pergunta título (se é que tal existe), mas além de ser uma leitura agradável, mostra que a investigação pode ser tão proveitosa e instrutiva quanto o fim do mistério.

Nota 9


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