Humanismo

Parco entendimento

Artigo I

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. – Declaração Universal dos Direitos Humanos[1]

Uma das coisas mais interessantes que temos visto nos últimos anos, com o advento da internet como passo seguinte a gigante globalização, é a capacidade de informações novas, diferentes e discutíveis que encontramos o tempo todo. A maior parte delas nos passa despercebido (mesmo por que nosso cérebro uma dificuldade enorme de processar tudo com a destreza e avidez necessárias), mas muitas, principalmente aquelas que nos interessam diretamente – sejam pelo nosso contexto social ou mesmo algo inato – nós, de alguma forma, procuramos absorvê-la. Se fazemos isto de maneira clara e precisa isto é outra história.

Mas, como em toda difusão de pensamentos e ideologias, podemos encontrar com uma frequência e até mesmo “profundidade” assustadora textos, comentários, tiras, desenhos, vídeos que incitam e demonstram total falta de compreensão com as mais distintas nuances e culturas de povos e pessoas diferentes. Estes publicações deixam de levar em conta tudo aquilo que pelo qual a humanidade tem lutado por séculos (milênios, quiçá): o direito de ser e viver, sem ingerências sobre sua condutas. Mas por que estas pessoas fazem isso? Qual o real motivo por traz disto?

Na verdade, seria leviano de minha parte tentar simplificar esta situação, uma vez que existe uma infinidade de motivos para uma infinidade de situações, e esta não é diferente. O que podemos dizer sobre isso plana muito mais pela especulação, mas não por isso não possa ser verificável. O que podemos enxergar é uma factual continuação das premissas equivocadas e carregadas de sofismas provindos de sociedades isoladas e auto isoladas da necessária convivência com diferentes (mas compreensível o porquê disto não ocorrer).

Muitas destas postagens têm falado sobre programas assistenciais como algo relativamente ruim e ‘politiqueiro’, em como as mulheres “provocam” aqueles que as atacam por usar determinadas roupas ou fazerem determinados gestos, em como pessoas pobres recebem ajudam substanciais para manterem-se na ignorância, ou coo “bandido bom é bandido morto” e muitas outras pérolas do gênero. Este texto não tem a intenção de refutar cada ponto estabelecido nesta publicações e afins, mas de alentar para o fato de que, quanto mais estas pessoas tem se mostrado afastadas para as reais necessidades do ser humano, mais elas tem se mantido nessa constante. Eis, portanto, o intento desta coluna, ressaltar a necessidade de se discutir o humanismo, as necessidades e as nuances, sempre com relativismo necessário, mas de forma crítica quando necessária.

Criticas a governos e a grupos sociais sempre haverá, e isso suscita o poder da nossa capacidade de demonstrar algo que esteja errado, ou que poderia ser melhor. Mas imaginar que afastando o direito de alguém ser o que lhe apetece para a manutenção de um grupo é algo que beira à insanidade. Deixar de se perceber o quão foi/é importante nossa evolução social para reiteração de prosaicos tradicionalismos nos rende apenas mais do que temos faz muito tempo: guerras e lutas ineptas onde os menos importantes para esta simplesmente são os que mais sofrem.

[1] Declaração Universal dos Direitos Humanos

Este texto, como os das demais colunas opinativas do portal, é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente o ponto de vista dos demais colunistas ou do papodeprimata.com.br.


Henrique Dal Bo Campanilli

Henrique Dal Bo Campanilli

Henrique é poeta, colunista, aprendiz de cachaceiro e de gaita; torce pela humanidade, apesar desta muitas vezes não lhe dar motivos para tal.

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