Jaula

“O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar.”
Clarice Lispector

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14 respostas

  1. A mensagem é boa, claro. A única coisa que eu discordo é com uma possível interpretação pro lado de um preciosismo com os animais.

    É claro que não estou tentando fazer um discurso de ódio, mas me parece um incoerente, dizer que enjaular um animal, como no caso das cobaias, ou até mesmo nos casos de maus tratos, é algo sobrenatural, não humano.

    Novamente, não estou discutindo a moralidade destas práticas, estou apenas lembrando que fazemos coisas semelhantes ou até muito piores com NÓS mesmos.

    O ser humano prende, maltrata e mata TUDO o que for necessário, não apenas nas situações de sobrevivência, mas pela simples manutenção da “homeostasia” de sua sociedade, seja este um representante da sua ou de outras espécies.

    De um certo ponto de vista, eu não vejo diferença entre atirar em um bandido ou sacrificar um animal, prender um bandido ou manter um animal em zoológico ou em um laboratório.

    Em todos os casos citados, são seres humanos prendendo e matando em favor do seu benefício próprio, coletivamente próprio, mas ainda assim próprio.

    Para os que ainda queiram argumentar sobre a diferença entre sacrificar um bandido ou um animal, fisolsofe:

    Se esse bandido fosse mau com alguém invisível, indetectável, alguém a quem você não pudesse se quer mensurar a dor você ainda concordaria com sacrifica-lo??

    Você mata ou prende um bandido, APENAS porque ele é mau, ou porque ele é mau com VOCÊ ou com alguém em quem você SE VÊ?

    Em síntese, o ser humano prende e mata em seu favor, humanos e não humanos, e esse negócio de “merecimento” é um detalhe inventado apenas pra trazer paz à sua própria consciência.
    E portanto, eu não me sinto tão mau ao ver um animal preso, pelo menos não muito pior do que me sinto quando vejo um bandido na grade.

    • Marcos Stocco disse:

      Cara é sério que VC não vê diferença entre enjaular um bandido, enjaulamento esse provocado por atos conscientes desse indivíduo e que tem a função de tirá-lo da sociedade e reeducá-lo inserindo-o novamente e a prisão de um animal inconsciente de seus atos que só fica enjaulado para exposição, para matar nossa curiosidade?!

    • Você leu e tentou interpretar o que eu escrevi até o final?
      É desmotivante responder seu comentário, porque a resposta já está lá.

    • Luiz Almeida disse:

      Há uma diferença abismal entre predar a natureza e encarcerar um homem por violar uma determinação social. No seu comentário está havendo uma confusão de conceitos.

      A volição é especificamente uma característica humana, e como dizem os grandes estudiosos da ética: somos livres para decidir se o que faremos trará benefícios ou malefícios à sociedade. Nossa evolução se deu principalmente porque evoluímos também socialmente, agir contra uma norma social é antiético, e tais ações devem ser suprimidas.

      O segundo ponto: enjaular um animal para entretenimento é um exercício da ignorância, não favorece ninguém, a não ser o proprietário do lugar que vai lucrar com o show. O único motivo que fundamenta o cativeiro de animais é quando é necessário para manutenção da sua saúde (ou de sua espécie), reprodução e estudos científicos, desde que não afete, no macro, os dois primeiros.

      Atos humanos são atos volitivos, conscientes; não existem atos humanos reflexivos ou instintivos a não ser em situações extremas, em estado de necessidade. Animais não possuem volição, e não podem ser julgados a partir da nossa valoração ética.

    • Não importa o quanto você teorize pra justificar o “mérito” do prisioneiro, quem prende o está fazendo em benefício próprio.
      É isso que diz o texto, mas interpretação hoje em dia é matéria escassa.

    • Lembrando novamente que toda essa “teorização” é meramente humana.
      Somos nós decidindo quem merece ou não ser encarcerado ou morto.

    • Luiz Almeida disse:

      Meu caro, assim fica difícil debater algum assunto com você. Se alguém contra-argumenta, você diz “a resposta está no texto”, “você não sabe interpretação textual”. Usar Argumentum ad hominem não vai fazer você mais correto, na verdade vai parecer menos capaz de sustentar o que disse.

      Pior ainda, a partir do momento que você abre a boca pra dizer “não importa o quanto você teorize para justificar”, eu vejo que seu papel aqui é bostejar ideias que você acredita estarem certas, e não debater. Você acabou de dizer “não adianta você falar, vou tapar meus ouvidos”.

      Por fim, o estudo da ética é uma ciência social, submete-se a metodologias e não a achismos. A valoração da ética não é uma determinação própria ou individual, e sim coletiva. Uma sociedade que impõe obrigações comportamentais exige que sejam cumpridas em prol do bem comum. A sociedade determina que sejam punidos aqueles com desvio de conduta, de forma a não gerar sentimento de impunidade e injustiça. Há uma motivação para isso, a motivação é manter o coletivo em paz e incólume.

      Diferentemente, não decidimos quem é preso, o agente que decidiu por si seu destino, violar normas sociais.

    • O problema jovem, é que você fica argumentando em cima DE OUTRA coisa e não presta atenção na minha afirmação.

      Enquanto estou falando que não temos o direito de determinar a moralidade do universo, você vem com litros de explicação pra dizer como foi que chegamos às “normas humanas”.

    • “Diferentemente, não decidimos quem é preso, o agente que decidiu por si seu destino, violar normas sociais. ”

      NORMAS SOCIAIS QUE O HOMEM DETERMINOU EM SEU PRÓPRIO FAVOR.

      É disso que eu tô falando.

      Adianta você, outro humano, vir aqui justificar as normas???

    • Outra coisa…
      Eu não disse que você não sabe interpretar, eu disse que você NÃO INTERPRETOU, o motivo, desconheço.

      Digo que não interpretou, porque se está aqui a “teorizar normas”, não entendeu que é justamente do direito humano de legislar a si e aos outros animais que estou falando.

      E NÃO ESTOU criticando a necessidade, nem eficiência dessas normas, estou apenas dizendo que:

      O HOMEM DETERMINA, SIM, QUEM VAI PRA JAULA OU NÃO, estabelecendo um conjunto de práticas que podem ser praticadas ou não, sendo este da sua ou de qualquer espécie.

      E que isto não é natural, embora possa ser útil, racional, sensato, etc…

    • Luiz Almeida disse:

      As normas sociais são impostas por causa do convívio. Não evoluímos individualmente. A espécie homo sapiens sapiens evoluiu socialmente, é claro que é importante restringir condutas que afetem o convívio.

      Continuando, quando você fala “determinamos quem vai pra jaula”, parece que está dizendo que escolhemos a dedo. São nossas decisões individuais que levam a um desvio de conduta, e não a imposição de regras de convívio. A motivação para essas normas é única, o bem comum. Entendo que você queira dizer “benefício próprio do homem” com sentido pluralístico, mas só no caso do encarceramento por desvio de conduta. Enquanto do outro lado da conversa, o encarceramento de animais só pode ser considerado bem comum quando em ocasiões que citei no primeiro comentário (pesquisa, manutenção da espécie, etc). A regra, que levaria ao bem comum, seria a manutenção da vida, do meio-ambiente, do convício inter-espécies, a exceção seria aprisionar para pesquisa.

      Onde quero chegar: as motivações que nos levam a decidir quem é preso, ou não, são bem diferentes das que nos faz aprisionar outros animais. No macro, sim, fazemos tanto um quanto outro porque queremos, a humanidade é comumente estúpida, e fazer idiotices por prazer pode ser dito como normal; a caça esportiva, os maus-tratos, cativeiro para entretenimento, tudo isso é pura estupidez.

  2. Grande Clarice Lispector!

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