O espiráculo da baleia-azul


O espiráculo dos cetáceos (grandes mamíferos marinhos entre os quais se incluem as diversas espécies de baleias, golfinhos e animais aparentados) é o orifício localizado no topo da cabeça destes animais através do qual estes podem ventilar, respirando mesmo com quase todo o corpo submerso. Ele é homólogo às narinas dos mamíferos terrestres (onde geralmente posicionam-se frontalmente), tendo gradualmente migrado para a sua atual posição durante o processo evolutivo destes animais, conforme adaptavam-se  ao ambiente aquático.

Nas chamadas “baleias de barbatana” (grupo a qual pertencem os gigantescos animais que costumamos popularmente chamar de “baleias”), este orifício é duplo, como pode ser visto nesta imagem do espiráculo de uma  baleia-azul (Balaenoptera musculus). Já no grupo de cetáceos com dentes (no qual se incluem os golfinhos, as orcas e as toninhas), o espiráculo é único. O seu funcionamento é bastante intuitivo de ser compreendido: conforme o animal emerge a ponto do espiráculo atingir a superfície da água, ele expulsa o ar com força através do(s) orifício(s), inclusive projetando para o alto um borrifo de água que eventualmente estava sobre o espiráculo. Quando o animal submerge, o espiráculo se fecha impedindo que a água penetre nos pulmões. Outra adaptação interessante destes animais é que suas traqueias só são conectadas ao espiráculo, o que impede que eles respirem pela boca – e consequentemente, afoguem-se enquanto se alimentam. Também através dos espiráculos, as baleias podem emitir e modular sons para comunicação e ecolocalização.

Obviamente, os espiráculos de um animal como a baleia azul são realmente impressionantes, tanto em tamanho quanto em capacidade: podem borrifar água a alturas superiores a 9 metros! É através deste borrifo, no entanto, que os caçadores podem não apenas localizá-las como também identificá-las (é possível distinguir a espécie de uma baleia à distância pela altura e forma do seu borrifo). Um triste fato sobre uma adaptação tão espetacular!

A migração gradual das narinas para o topo da cabeça dos cetáceos. Fig 1. Pakicetus; Fig 2. Rodhocetus; Fig 3. Uma moderna baleia cinzenta.


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