PAPO DE PRIMATA responde: A evolução do sexo

“- A ciência sabe como seres assexuados evoluíram e deram origem a animais sexuados?”

Há várias hipóteses concorrentes que descrevem como a reprodução sexual evoluiu da assexuada. Dado que é mais difícil obter-se comprovação experimentação de como o sexo surgiu, as pesquisas atuais focam-se em como a reprodução sexuada mantém-se, a despeito de ser mais complicada que a assexuada.

De acordo com Gustavo Melim Gomes, professor de biologia, tudo tem a ver com variabilidade genética. “Sexo é apenas uma forma de se combinar gametas (com seus códigos genéticos) para a produção de descendentes.”, ele explica.

Segundo Gomes, para facilitar o entendimento, temos de diferenciar “seres sexuados” de “seres que fazem sexo”. Há animais não-sexuados que fazem sexo, como as minhocas, que são hermafroditas mas não podem fecundar a si mesmas (se isto ocorresse, gerariam clones de si próprias, sem variabilidade genética). Este tipo de reprodução pode ter sido a primeira forma de sexo entre os animais.

“Animais sexuados livram-se mais facilmente de mutações desvantajosas, uma vez que, ao combinar seus códigos genéticos, tendem a preservar características benéficas e excluir as indesejáveis, reparando estes erros no código genético de seus descendentes.”, explica o biólogo. “Um animal assexuado, que só pode se clonar, não tem essa oportunidade, perpetuando assim prováveis mutações genotípicas nocivas”.

Ainda se tratando de animais, gametas diferentes levam também à produção de hormônios diferentes, que por sua vez refletem toda a etologia (comportamento) e anatomia externa – e em alguns casos mais complexos, até a psicologia. Isto explica porque os produtores de espermatozoides e de óvulos, mesmo sendo da mesma espécie, acabam se tornando indivíduos tão distintos.

A competição por sexo auxilia ainda a seleção natural, pois os indivíduos mais capazes tem maiores possibilidade de copular e gerar descendentes (que herdarão suas características). Assim, os maiores elefantes-marinhos, os pinguins que sabem fazer os ninhos mais altos ou ainda os pavões que possuem as caudas mais deslumbrantes, são os que levam vantagem na seleção sexual.

Gomes observa ainda que existem vários tipos de sexo. Há o direto (como o nosso) e o indireto (como o das plantas, que necessitam de agentes polinizadores), com fecundação interna (novamente, como o nosso) ou externa (como o dos peixes e anfíbios).

 


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