Megatério

Megatério
(Megatherium americanum)

Os campos levemente arborizados da América do Sul já foram o habitat de um mamífero gigantesco, que podia medir mais de 6m de comprimento da ponta da cauda à cabeça e pesar 4 toneladas (praticamente o mesmo que um elefante asiático): o megatério, ou, como é popularmente conhecido, a preguiça-gigante!

Do ponto de vista taxonômico, este nome popular é bastante apropriado. Os megatérios pertenciam à subordem de mamíferos xenartros Folivora, que inclui todas as espécies de bichos-preguiça existentes ainda hoje (e também as extintas). Os xenartros são os mamíferos placentários a que pertencem os chamados “desdentados” (que inclui também os tatus, tamanduás, etc), e as preguiças modernas são de uma família bastante próxima a deste primo de tamanho colossal.

Como todos os xenartros, o megatério era herbívoro. Possuía um esqueleto bastante robusto, com membros fortes e uma poderosa cauda muscular, que permitiam-lhe manter-se de pé sobre as patas traseiras para alcançar folhas em alturas inatingíveis por outros herbívoros contemporâneos. Seus membros anteriores possuíam longas garras curvas que podiam puxar para baixo galhos mais altos, facilitando sua alimentação.

Contudo, a postura ereta do megatério pode ter servido não só para sua alimentação, mas também para sua locomoção. Alguns pesquisadores sugerem que sua morfologia tinha adaptações para o bipedalismo. No entanto, ao se locomover como um quadrúpede, ele provavelmente andava sobre os lados de suas patas, já que suas garras deviam impedir que pusesse as palmas e plantas dos mesmos sobre o solo.

Os megatérios foram animais muito bem sucedidos em seu tempo. Viveram do início do Plioceno ao início do Holoceno, e se distribuíam por toda a América do Sul (um gênero relacionado, o Eremotherium, viveu na América do Norte, na área que hoje é a Florida). Apesar de ser uma presa valiosa pela enorme quantidade de carne (fazendo com que indivíduos juvenis talvez fossem vítimas se tigres-dente-de-sabre, ursos-das-cavernas, lobos e seres humanos), era um adversário formidável dado seu tamanho e garras poderosas.

O motivo de sua extinção ainda é tema de debate. Mudanças climáticas diminuíram a área adequada para sua sobrevivência, e a expansão dos caçadores Homo sapiens pode ter sido um fator decisivo para o seu desaparecimento.

Mas os fósseis deste impressionante mamífero da megafauna estão por aí, dando-nos o vislumbre de um tempo onde este magnífico animal andava sobre onde nós hoje caminhamos.

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Fontes: 
Bargo, M. S. (2001). “The ground sloth Megatherium americanum: Skull shape, bite forces, and diet” (PDF). Acta Palaeontologica Polonica 46 (2): 173–192. Retrieved 22 July 2012.

De Iuliis, Gerardo; François Pujos; Giuseppe Tito (2009). “Systematic and taxonomic revision of the Pleistocene ground sloth Megatherium (Pseudomegatherium) tarijense (Xenarthra: Megatheriidae)”. Journal of Vertebrate Paleontology. 4 29: 1244 1251. doi:10.1671/039.029.0426.

 

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7 respostas

  1. Barbara Tagé disse:

    Adriana Carneiro de Lima lembrei de vc mór feliz falando da megafauna xD

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